O mobiliário devocional no Império Colonial português: os oratórios domésticos em Minas Gerais no século XVIII

Eugênio, Alisson

Professor e pesquisador de História do Brasil na Universidade Federal de Alfenas, Minas Gerais, Brasil alissoneugenio@yahoo.com.br

Etiquetas/Tags: Relaciones geográficas, Mueble doméstico, Devoción, Estilos artísticos

Abstract: The purpose of this communication is to analyse the production of oratories in the Portuguese colonial empire, using as examples the Captaincy of Minas Gerais, located in the Province of Brazil, throughout the 18th century, describing its aesthetic characteristics, to observe the modifications of the iconography of the oratories as indicators, as an expression of the stylistic transition from Baroque to Rococo in such a region.

Quando os portugueses colonizaram a América, trouxeram com eles as suas devoções. Uma das formas de venerá-las foi a construção de um mobiliário religioso conhecido como oratórios. Trata-se de um móvel, de proporções variadas, conservado em casa para o culto doméstico e, em tamanho menor, para ser transportado durante viagens. Tal móvel é constituído por um armário decorado em cujo nicho se encontra uma estátua de um(a) santo(a), ou a figura de Cristo ou da sua mãe, diante dos quais os devotos faziam as suas orações. Minas Gerais, a capitania mais urbanizada do Brasil colonial, cuja economia foi impulsionada no século XVIII pela exploração de metais preciosos, é um lugar privilegiado para o estudo dos oratórios porque: 1) a riqueza que circulou nas suas vilas, em particular nas mais prósperas, como Vila Rica, favoreceu a procura e, consequentemente, a oferta de artesãos que pudessem satisfazer as necessidades religiosas e os gostos estéticos da parcela da população que poderia adquirir tal mobiliário devocional; 2) Nessa capitania floresceu, na primeira metade do século XVIII, o estilo artístico conhecido como Barroco, do qual emergiu, nas décadas finais do mesmo século, o estilo conhecido como Rococó, cuja qualidade artística pode ser atestada pelo reconhecimento de Ouro Preto e Diamantina, duas ex-vilas coloniais, pela Unesco como Património da Humanidade. O objetivo desta comunicação é comparar a produção de oratórios em Minas Gerais ao longo do século XVIII, descrevendo as suas características estéticas, para observar as modificações da iconografia dos oratórios como indicadores, como expressão, da transição estilística do Barroco ao Rococó em tal região.

Para isso, serão utilizadas centenas de oratórios conservados no Museu do Oratório, localizado na cidade de Ouro Preto, os quais serão classificados, iconograficamente, de acordo com os critérios descritivos propostos por Erwin Panofsky. Assim, será mostrado até que ponto e a partir de quando as mudanças estilísticas ocorreram nos oratórios mineiros setecentistas e de que maneira a dinâmica temporal da sua estética seguiu a mesma dinâmica temporal do conjunto da produção das artes plásticas em Minas Gerais. 

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